O homem, a vara da autoridade, a rocha e a água. Por que Moisés é impedido de entrar em canaã?

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E o Senhor disse a Moisés:

8 Toma a vara, e ajunta a congregação, tu e Arão, teu irmão, e falai à rocha perante os seus olhos, que ela dê as suas águas. Assim lhes tirarás água da rocha, e darás a beber à congregação e aos seus animais. 9 Moisés, pois, tomou a vara de diante do senhor, como este lhe ordenou. 10 Moisés e Arão reuniram a assembleia diante da rocha, e Moisés disse-lhes: Ouvi agora, rebeldes! Porventura tiraremos água desta rocha para vós? 11 Então Moisés levantou a mão, e feriu a rocha duas vezes com a sua vara, e saiu água copiosamente, e a congregação bebeu, e os seus animais. 12 Pelo que o Senhor disse a Moisés e a Arão: Porquanto não me crestes a mim, para me santificardes diante dos filhos de Israel, por isso não introduzireis esta congregação na terra que lhes dei.13 Estas são as águas de Meribá, porque ali os filhos de Israel contenderam com o Senhor, que neles se santificou.(Exo. 20:7-20)

Você pode perguntar por que Deus foi tão duro com Moisés por ter feito uma coisa sem significância? Ora, só por ferido a rocha com a vara em vez de falar a mesma? Há várias coisas a se considerar aqui neste texto de profundo aprendizado. Primeiramente, Deus não foi injusto com seu servo Moisés nesta questão de não o deixar entrar na terra por este fato. Vejamos, quando Deus deu a vara a Moisés para ele usar perante os magos de Faraó – nos primeiros dias de ministério de Moisés (Exo 4;1-4) – Deus disse para jogá-la no chão e ela transformou-se em serpente, Deus mandou que ele a pegasse de novo e ela transformou-se em vara. Neste evento Deus deixou bem claro para Moisés que a autoridade espiritual que estava sendo dada a ele poderia transformar-se em benção quando bem usada, ou em maldição, quando mal usada (serpente). A vara na mão de Moisés naquele momento de ira poderia causar-lhe um constrangimento, como causou. Deus queria ser honrado perante o povo com a autoridade Dele, com a graça de trazer a água por meio da fé destes dois líderes. O ato de ferir a rocha duas vezes implica em dois fatores: 1) A rocha naquele momento representava o Cristo, a Autoridade de Deus. A água que sairia dela era o Espírito Santo e a vara era uma representação de Deus. Assim temos três símbolos da trindade operando aqui através deste evento. 2) Ao dar a autoridade da vara a Moisés, Deus estava colocando Sua própria autoridade nas mãos de seu servo libertador. A vara, a pedra e a água são harmoniosos no agir; nunca a vara poderia ferir a rocha para dela tirar a água, Moisés ao ferir a rocha ele fere a autoridade e a harmonia da trindade. Era para ele ter falado mansamente a rocha sem feri-la para que a água jorrasse cheia de graça para povo.

Irado demais para entender que Deus queria mostrar Sua graça, Sua harmonia no Trono com Seu Filho e com o Espírito Santo, Moisés perde a oportunidade de ter uma revelação profunda da operação de Deus e o povo perde a revelação da misericórdia Divina que sacia nossa sede. A vara a rocha e a água sempre estarão acompanhando nossa vida deste quando convertemos. Mesmo você que é novo no Caminho tem a autoridade de Deus dentro de você pela operação de Espírito Santo que agora atua naqueles que temem. Não podemos sair usando nossa autoridade para amaldiçoar pessoas porque o que sai de nossas bocas hoje tem poder!  À medida que você cresce em Deus você também ganha autoridade no mundo espiritual. Eliseu, no ato impensado, logo no primeiro dia de seu ministério, amaldiçoa uns adolescentes devido à crítica e zombaria que eles faziam a Eliseu, acabando por matá-los, pois, do bosque saiu ursas que os atacaram. A partir dali Eliseu nunca mais usa a vara da autoridade indevidamente. O povo também murmurava contra Moisés, talvez se fôssemos nós também teríamos agido como Moisés.

Esta passagem também nos arremete a cruz do calvário onde o Filho de Deus foi ferido, não pela vara dos homens, mas por Deus, para nossa salvação. Somente Deus pode executar este propósito. Somente o Pai e o Espírito poderia deixar o Filho abandonado no calvário, ferido por nossas transgressões (Isa. 53). A força humana não pode mover o propósito de Deus, temos que entender de vez isto: ferimos muitas rochas em nossos caminhos espirituais, a nossa vantagem sobre Moisés é que estamos debaixo da graça, estamos pós-morte do Filho, estamos longe de sermos feridos pela Lei antiga, pela velha aliança.

Deus em sua infinita misericórdia, entendendo a fraqueza que Moisés tinha com a ira, não tira de seu galardão celestial, de sua coroa no céu, tira sim, de um sonho terreno: o de entrar com o povo na terra de Canaã. Moisés não perde nada com este evento em seu galardão celestial, porque Deus sabia que o coração de Moisés trazia suas doenças de infância da casa do Faraó. Como se Deus dissesse a ele: “Tirarei seu brinquedo na terra, mas no céu continua intacto seu galardão”. A intimidade que este homem tinha com Deus era profunda a este ponto de Deus escolher algo que iria passar rapidamente, não algo que era eterno. Moisés viu a Glória de Deus.

Fica assim a lição para nós de que a harmonia da trindade opera com profunda graça a nosso favor e que a rocha nos acompanhará dando-nos a água viva quando necessitarmos. Não foi isto que Jesus disse a samaritana sentado no poço: “Da água que Eu lhe der você nunca mais terá sede”. Ali Deus queria mostrar ao povo o mesmo que Jesus quis mostrar à samaritana: que a água da Vida é o Espírito Santo da promessa é o bálsamo de Deus. Moisés e Arão não entenderam e nem o povo teve a revelação. A samaritana entendeu isto séculos depois (Jo 4).

Sejamos tranquilos quando houver crises na nossa caminhada com Deus. Apesar de você hoje estar debaixo da graça, não saia por ai ferindo, com sua autoridade, a Rocha, a Água e nem seus irmãos. Não murmure a todo tempo, espere a Água que saíra da Rocha para te saciar. Há um caminho entre nós, o Trono da graça e nossas iras e medos que necessitamos vencer. Moisés foi inseguro ali perante o povo, nós também somos em nossas caminhadas. Moisés representa todos nós ali com nossas incoerências e imaturidades.

“Bem-aventurados os mansos, pois eles herdaram a terra”, não são as primeiras palavras do sermão do monte? Herdar a terra corresponde a prosperidade e realização de sonhos nesta vida, muitos de nós não herdamos coisas naturais porque não somos mansos em nossa personalidade. Temos que ter uma atitude mansa para com Deus e para com próximo. Geralmente, os profetas de Deus, tem dificuldades com mansidão, pois, são líderes fortes, impetuosos. Moisés não herdou a terra de canaã, ele herdou algo muito superior no céu, mas poderia ter herdado este sonho particular também de chegar na terra prometida, mas como um grande profeta de Deus, Deus em sua misericórdia, ensinou Moisés a tal ponto que no fim de sua vida, o próprio Moisés diz sobre si: “Moisés, o homem mais manso da terra”. A terra do seu coração havia sido dominada por Deus.

Chegará o dia que conseguiremos em uma crise no meio de nossos iguais, falarmos mansamente a Rocha, e a Água fluirá por nós, e o amor inundará os corações. Que o Espírito possa nos ajudar! Prosseguimos…

A paz do Verbo,

Silvério Peres.

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